terça-feira, 22 de junho de 2010

ela

Joana D'arc no deserto.
um oásis?
montanha.


(biel)

domingo, 13 de junho de 2010

caminhando

as curvas lânguidas
manchadas de esquinas
aguardam
na parada
meu destino

que a língua de asfalto
me traga
o horizonte

(biel)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

a cidade e a gente

a cidade proporciona voltas
retornos

nunca a abandonamos de fato

ela descansa
adormece
se entorpece
anestesia nossos nervos às outras cidades
vestindo-as de calma aos nossos olhos

mas a cidade está em nós
e nós sabemos.

(biel)

retificação

Eu, biel, sem consultar meu parceiro de blog, gu/tavão, mudei o domínio deste blog e deixei perdida uma visitante noturna.
peço a todos mil desculpas pelo incômodo e torço apra que nossa visitante regresse.


Perdão,


biel.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

a cidade

a cidade rói a gente
como rói à roupa o rei
o rei rói e o rato reina
roendo a roupa
a cidade vai roendo
vai roendo e alucinando
solta-se e escorrega
deslizante e de leve
vai roendo o que é gente
vai sobrando só a roupa
o rei agora é rato
a ser roído pela roupa

(biel)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sentidos

na brisa de cada ano tatuei teu nome
e na brisa ficou o teu cheiro
ou entranhou-se em mim
que já não sei se sinto ou se penso sentir

o halo de calor se revela da mesma maneira,
comprido,
e uma lágrima me faz lebrar.

(biel)

entrelugar

à metade.
suspendeu o momento de euforia.
os olhos, agônicos agora
não mais vibram,

esperam. como troféus,
expostos aos olhares,
que o dia aconteça.

(biel)

ação, reação e suspensão

O ato suspenso
a linha de chegada o aguarda
os olhos suspensos
à parede eternizam a agonia

apesar de nem sinal dos outros
competidores
ou talvez até por isso
decidiu-se

o público em palpitação
dedos cruzados de esperança
ao momento exato da parada

viu contorcer de dor
a mulher que estava ao público
na inteireza de sua vida para ali dedicada

à metade do dia
à metade da vida
à metade não aceita


(biel)

quarta-feira, 31 de março de 2010

ação e reação

como o velocista que desiste de cruzar a linha de chegada
pendurando os olhos do público na parede
exibindo orgulhosamente da agonia alheia
o dia não aconteceu

(biel)

sábado, 20 de março de 2010

à mesa

Não queria ter prazo de validade
quero ser não perecível
um grão de arroz
num saco de arroz
misturar-me ao feijão
sentir o calor de seu caldo
não ter de virar arroz-feijão dos vermes
ela?
ela não!
pois será sempre sobremesa.

(biel)