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domingo, 4 de dezembro de 2011

Soneto da escrita escolar II

Foi inventado pelo chimpanzé.
Mas é usado apenas por serpente.
Do Boletim de Ocorrência, é parente.
E também amiguinho do IBGE.

Livro de cabeceira, é até
Do ministro e da atual presidente.
Registra, pune, soma os delinquentes.
Pois, minha gente, o que é? o que é?

Não vale conferir em seus cadernos.
Nem mesmo verificar a apostila.
Nem soprar para os colegas hibernos.

Muito menos pros da última fila!
E sem bisbilhotar os seus infernos.
É o diário de classe, sim, Dona Dalila.

(Pau no Gu)

domingo, 27 de novembro de 2011

Soneto da escrita escolar I

Chamem policiais, empreendedores,
Pastores, cientistas, Barrabás,
Chacais, leões-de-chácara, umas flores,
E os administradores, aguarrás,

E mais: os filisteus, governadores,
Senhores, guardas, médicos legais,
Geisel, juízes, bispos, revisores,
Autores, diretores, tanto faz!

Só não permitam, oh! só não permitam
Que a pena do poeta lambuzasse
Sua cruenta e diabólica tinta

Sem que fosse em mandinga, asilo, passe
De mágica, ou sarjeta, ou vaso, ou finta.
Aos outros, deixem o diário de classe!

(Pau no Gu)

Soneto da escrita escolar III

(Ao gosto de Glauco Mattoso)

Anos, passou a fio, a ler os textos
De seus alunos embusteiros gados.
A cada vírgula, esperava gestos
De fúria e sangue, verbos desbocados.

Que nada! Lero-lero em manifestos,
Missas, lances de dados viciados:
Despoluir... descorromper... protestos
Tão soníferos quanto calculados.

Mas, por vencido, não se deu. Hahá.
- Cansei de bosta no papel. De cócoras!
No chão, caguemos. Um, dois, três e já!

Caprichai, que impiedoso o tempo cobra.
Sem mais tardar, o sinal soará.
A gente vai, e fica só a obra.

(Pau no Gu)