sexta-feira, 14 de maio de 2010

a cidade e a gente

a cidade proporciona voltas
retornos

nunca a abandonamos de fato

ela descansa
adormece
se entorpece
anestesia nossos nervos às outras cidades
vestindo-as de calma aos nossos olhos

mas a cidade está em nós
e nós sabemos.

(biel)

retificação

Eu, biel, sem consultar meu parceiro de blog, gu/tavão, mudei o domínio deste blog e deixei perdida uma visitante noturna.
peço a todos mil desculpas pelo incômodo e torço apra que nossa visitante regresse.


Perdão,


biel.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

a cidade

a cidade rói a gente
como rói à roupa o rei
o rei rói e o rato reina
roendo a roupa
a cidade vai roendo
vai roendo e alucinando
solta-se e escorrega
deslizante e de leve
vai roendo o que é gente
vai sobrando só a roupa
o rei agora é rato
a ser roído pela roupa

(biel)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sentidos

na brisa de cada ano tatuei teu nome
e na brisa ficou o teu cheiro
ou entranhou-se em mim
que já não sei se sinto ou se penso sentir

o halo de calor se revela da mesma maneira,
comprido,
e uma lágrima me faz lebrar.

(biel)

entrelugar

à metade.
suspendeu o momento de euforia.
os olhos, agônicos agora
não mais vibram,

esperam. como troféus,
expostos aos olhares,
que o dia aconteça.

(biel)

ação, reação e suspensão

O ato suspenso
a linha de chegada o aguarda
os olhos suspensos
à parede eternizam a agonia

apesar de nem sinal dos outros
competidores
ou talvez até por isso
decidiu-se

o público em palpitação
dedos cruzados de esperança
ao momento exato da parada

viu contorcer de dor
a mulher que estava ao público
na inteireza de sua vida para ali dedicada

à metade do dia
à metade da vida
à metade não aceita


(biel)

quarta-feira, 31 de março de 2010

ação e reação

como o velocista que desiste de cruzar a linha de chegada
pendurando os olhos do público na parede
exibindo orgulhosamente da agonia alheia
o dia não aconteceu

(biel)

sábado, 20 de março de 2010

à mesa

Não queria ter prazo de validade
quero ser não perecível
um grão de arroz
num saco de arroz
misturar-me ao feijão
sentir o calor de seu caldo
não ter de virar arroz-feijão dos vermes
ela?
ela não!
pois será sempre sobremesa.

(biel)

quinta-feira, 4 de março de 2010

construção

que tua língua derreta
agora
na minha
porque atrás do horizonte espreita
apenas
um terreno baldio
grávido de construções que faremos daqui

(biel)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

(...)

porque a vida é grande
e o mundo, pesado
trago comigo algumas verdades
mas somente uma certeza:
a vida.

(biel)