(com lágrimas e saudades)
Para a minha querida e muito amada
Aninha, com carinho e alvorada
Para que a estrelinha da poesia
Brilhe sempre mais lindo em sua vida
Para que não se esqueça de sorrir
E nem do seu professor eterno aqui!
Para que esse Brasil e o mundo inteiro
Conheçam Ana Luísa Carneiro
(Gu)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
destino
Destruíra há muito aquela imagem na moldura, mas não podia esquecê-la jamais. A vontade de esquecer era já a lembrança de saber a imagem. Mas afinal, o que fazia aquela imagem retida na memória se tantas outras coisas deveriam ser, e de fato eram, mais importantes? Isso ele sabia. Mas porque perder a chance e se questionar. Era hábito já. Sabia q cada situação tinha a sua resolução assim que se impunha, mas gostava de considerar todas as hipóteses. Gostava de achar que tinha escolha. Mas afinal, somos ainda jogos dos deuses? Ou já podemos dizer não? Ou ainda devemos dizer: o que tiver que ser, será? E essas perguntas ele também se fazia. Eram tantas e entre elas, tonto, buscava nela a resposta. E voltar ao princípio. A imagem reaparecia e insistia. Todo pensamento e filosofia, mesmo as mais finas ou as mais botecais não saíam se não da imagem.
Andara por becos, vira flutuar um padreco com uma xícara de chocolate. Vira ciganos, vira assassinatos, e aquilo que parecia um anjo caído retomar e reganhar os céus. Mas nem todas essas lembranças ocupavam tamanho espaço. Naquela moldura estava eternizada, mas não por muito tempo. No exato instante, a pausa, o suspiro e o perfume q fugira da moldura, mas não da lembrança era demasiado insinuante para conter um leve enrijecimento muscular. Agora olhava o espaço na parede, a marca sem pó. Pesava-lhe a falta de reflexo do objeto luminoso. Nas manhãs frias agora pesariam o cinza que não era cor nenhuma. Ou antes, era a ausência dela. E o perfume ameaçara escapar na fatídica fogueira que, depois de despedaçada e esfacelada a moldura, consumiu desejosa a imagem.
Chorou ao sentir arder em si a carne que possuiu na mesma noite com a triste certeza equivocada de liberdade. Disfarçou e se sentiu menor. Saiu à rua. Parou. Bebeu. Não caiu. Voltou. Mais carne. Afogou-se. Voltou. Mas ainda sim amanheceu.
(biel)
Andara por becos, vira flutuar um padreco com uma xícara de chocolate. Vira ciganos, vira assassinatos, e aquilo que parecia um anjo caído retomar e reganhar os céus. Mas nem todas essas lembranças ocupavam tamanho espaço. Naquela moldura estava eternizada, mas não por muito tempo. No exato instante, a pausa, o suspiro e o perfume q fugira da moldura, mas não da lembrança era demasiado insinuante para conter um leve enrijecimento muscular. Agora olhava o espaço na parede, a marca sem pó. Pesava-lhe a falta de reflexo do objeto luminoso. Nas manhãs frias agora pesariam o cinza que não era cor nenhuma. Ou antes, era a ausência dela. E o perfume ameaçara escapar na fatídica fogueira que, depois de despedaçada e esfacelada a moldura, consumiu desejosa a imagem.
Chorou ao sentir arder em si a carne que possuiu na mesma noite com a triste certeza equivocada de liberdade. Disfarçou e se sentiu menor. Saiu à rua. Parou. Bebeu. Não caiu. Voltou. Mais carne. Afogou-se. Voltou. Mas ainda sim amanheceu.
(biel)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
harmonia
a mão no rosto
(o calor do sal molhado)
o pescoço se insinua
ainda mais os seios sob a blusa
adivinhados
mas há que se voltar ao rosto
onde tudo principia
everything under the sun is in tune
mesmo que sequer haja sol
haverá
(biel)
(o calor do sal molhado)
o pescoço se insinua
ainda mais os seios sob a blusa
adivinhados
mas há que se voltar ao rosto
onde tudo principia
everything under the sun is in tune
mesmo que sequer haja sol
haverá
(biel)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
um pedido
o universo
todo
pode esperar
a manhã
nascer
pra nos ver
cantar
e ferir nossa retina
com o sol
a saciar
sua sede de luz
depois da noite
esfarelada
em estrelas
não vistas
(biel)
todo
pode esperar
a manhã
nascer
pra nos ver
cantar
e ferir nossa retina
com o sol
a saciar
sua sede de luz
depois da noite
esfarelada
em estrelas
não vistas
(biel)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
o óbvio
lirismo não é,
mas é uma vontade de se matar.
ou antes,
de mergulhar.
uma sede que bebe
o sangue da gente
ainda quente
e mais vermelho.
a fome que consome
igere o músculo dado em vão
e o sono invindo,
abortado
morre toda noite.
pela manhã
o sol machuca
mas o sereno,
do lado de fora,
queima.
mas é uma vontade boa de se matar
ou antes,
de mergulhar
a noite inteira.
(biel)
mas é uma vontade de se matar.
ou antes,
de mergulhar.
uma sede que bebe
o sangue da gente
ainda quente
e mais vermelho.
a fome que consome
igere o músculo dado em vão
e o sono invindo,
abortado
morre toda noite.
pela manhã
o sol machuca
mas o sereno,
do lado de fora,
queima.
mas é uma vontade boa de se matar
ou antes,
de mergulhar
a noite inteira.
(biel)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
do fim
afinal,
sobraremos só em estória
dos anos, dos livros
mas sobraremos
sobreviveremos
nas estórias das pessoas
e o pó agitar-se-á
assustando os vermes
sempre que elas forem contadas.
(biel)
sobraremos só em estória
dos anos, dos livros
mas sobraremos
sobreviveremos
nas estórias das pessoas
e o pó agitar-se-á
assustando os vermes
sempre que elas forem contadas.
(biel)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Do ano novo
"e a certeza
de que o último dia de dezembro
é sempre igual
ao primeiro de janeiro"
(humberto gessinger - "anoiteceu em porto alegre")
Mesmo em nossa cultura, que pede atitudes (às vezes) racionalistas e algo científicas diante dos acontecimentos, inibindo comportamentos próprios de culturas sacralizadas e mágicas, mantivemos o apego a alguns rituais: um deles é a passagem de um ano para outro.
Ao cabo de 12 meses (não em vão 12, número que já simbolizou a totalidade de um ciclo em diversos momentos da nossa história, enquanto o 13 simbolizou a morte e, conseqüentemente, o começo de outro ciclo: 12 apóstolos mais Jesus Cristo, na Santa Ceia, a morte de Filipe da Macedônia depois de ter sua estátua disposta ao lado dos 12 deuses romanos, a carta XIII, conhecida como a morte, embora sem nome, do Tarô de Marselha etc), enfim, ao cabo de 12 meses, comemoramos com o luxo de que dispomos o reinício.
Celebramos o novo. O novo é freqüentemente celebrado em nossa cultura: sempre o novo produto, o novo programa, o novo livro (no mínimo, a nova edição), o novo cd etc. Mas, no Réveillon, celebramos o novo de dentro, como se fôssemos ou pudéssemos mudar, após os 12 meses, radicalmente nossas vidas.
Curioso, pra além de saber se mudamos de fato ou não, é que encontramos força pra mudar apenas no que já existe de mais sólido, consistente e antigo.
Passamos a noite do dia 31, em geral, com as pessoas que mais próximas da gente estiveram durante os 12 meses, com as pessoas que conhecemos, às vezes, desde que nascemos, não com pessoas novas.
Passamos a noite, em geral, num ambiente que já conhecemos de longa data. Não raro, a nossa própria casa. Às vezes, numa casa de praia já conhecida, às vezes, numa cidade praiana e numa praia já conhecidas.
Mais que tudo, é raro, no ano, a passagem de um dia para outro tão sem ruptura quanto a do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro. Comumente, dormimos cansados e despertamos mais dispostos, revigorados. Dormimos com um humor, colorido pelo que aconteceu durante o dia, e acordamos com outro, colorido pelos sonhos ou sei lá pelo que (mas é estranho como a gente acorda diferente!). Porém, no Réveillon, a festa do dia 31 é a mesma do dia 1º, a festa que encerra um ano é a mesma que inicia outro ano.
Apenas com esta sensação de que nada mudou, de que tudo continua extamente igual, mesmo que os astros e a cronologia digam o contrário, é que reunimos coragem pra enfrentar a novidade. Na verdade, não me parece simples assim deparar com o novo, mesmo quando ele é verdadeiramente desejado. Em razão deste ano mal ter começado pra mim, em razão de ele ter sido mera prolongação dolorida do ano retrasado, eu desejei muito o fim dele. Nem por isso, é sem dor e sem pavor que me despeço dele. E não creio ser sem dor nem sem pavor que a gente solte fogos de artifício (aliás, sempre os mesmos fogos de artifícios), que a gente beba sorrindo o champgne, que a gente cante a sempre mesma música, que a gente grite a mesma contagem regressiva.
(Gu)
de que o último dia de dezembro
é sempre igual
ao primeiro de janeiro"
(humberto gessinger - "anoiteceu em porto alegre")
Mesmo em nossa cultura, que pede atitudes (às vezes) racionalistas e algo científicas diante dos acontecimentos, inibindo comportamentos próprios de culturas sacralizadas e mágicas, mantivemos o apego a alguns rituais: um deles é a passagem de um ano para outro.
Ao cabo de 12 meses (não em vão 12, número que já simbolizou a totalidade de um ciclo em diversos momentos da nossa história, enquanto o 13 simbolizou a morte e, conseqüentemente, o começo de outro ciclo: 12 apóstolos mais Jesus Cristo, na Santa Ceia, a morte de Filipe da Macedônia depois de ter sua estátua disposta ao lado dos 12 deuses romanos, a carta XIII, conhecida como a morte, embora sem nome, do Tarô de Marselha etc), enfim, ao cabo de 12 meses, comemoramos com o luxo de que dispomos o reinício.
Celebramos o novo. O novo é freqüentemente celebrado em nossa cultura: sempre o novo produto, o novo programa, o novo livro (no mínimo, a nova edição), o novo cd etc. Mas, no Réveillon, celebramos o novo de dentro, como se fôssemos ou pudéssemos mudar, após os 12 meses, radicalmente nossas vidas.
Curioso, pra além de saber se mudamos de fato ou não, é que encontramos força pra mudar apenas no que já existe de mais sólido, consistente e antigo.
Passamos a noite do dia 31, em geral, com as pessoas que mais próximas da gente estiveram durante os 12 meses, com as pessoas que conhecemos, às vezes, desde que nascemos, não com pessoas novas.
Passamos a noite, em geral, num ambiente que já conhecemos de longa data. Não raro, a nossa própria casa. Às vezes, numa casa de praia já conhecida, às vezes, numa cidade praiana e numa praia já conhecidas.
Mais que tudo, é raro, no ano, a passagem de um dia para outro tão sem ruptura quanto a do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro. Comumente, dormimos cansados e despertamos mais dispostos, revigorados. Dormimos com um humor, colorido pelo que aconteceu durante o dia, e acordamos com outro, colorido pelos sonhos ou sei lá pelo que (mas é estranho como a gente acorda diferente!). Porém, no Réveillon, a festa do dia 31 é a mesma do dia 1º, a festa que encerra um ano é a mesma que inicia outro ano.
Apenas com esta sensação de que nada mudou, de que tudo continua extamente igual, mesmo que os astros e a cronologia digam o contrário, é que reunimos coragem pra enfrentar a novidade. Na verdade, não me parece simples assim deparar com o novo, mesmo quando ele é verdadeiramente desejado. Em razão deste ano mal ter começado pra mim, em razão de ele ter sido mera prolongação dolorida do ano retrasado, eu desejei muito o fim dele. Nem por isso, é sem dor e sem pavor que me despeço dele. E não creio ser sem dor nem sem pavor que a gente solte fogos de artifício (aliás, sempre os mesmos fogos de artifícios), que a gente beba sorrindo o champgne, que a gente cante a sempre mesma música, que a gente grite a mesma contagem regressiva.
(Gu)
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Excerto de relatório de estágio: Novembro - parte II
As crianças sempre sabem tudo. Sabiam, por exemplo, da intromissão por vezes ruidosa da Princesa Cíntia e muito se incomodavam, não sem razão, com ela. Demorei demais, mesmo lendo coisas de Psicanálise, para saber que (sobretudo) as meninas dividirem (quando não disputarem mesmo) o amor do pai com a mãe já era o máximo a que podiam suportar sem grandes alardes, mas dividi-lo com uma terceira era demais!
Pois justamente após o dia 10 de Novembro, logo após, a Bia me veio perguntar pela Princesa Cíntia colorindo a melodia da voz com a costumeira truculência do corpo, com alguma malícia já sensual e com espessas tintas de ciúme. Eu respondi com uma pergunta:
- Porque você acha que eu estou de preto? Estou de luto: ela morreu.
Com riso maroto, a Bia me pediu o telefone dela.
- Mas ela está morta!
- Mas eu quero o teleone dela.
- Mas você vai ligar e ninguém vai atender!
- Mas eu quero ligar, mesmo asim.
Não queria. Depois de conseguir o exato número do telefone da Princesa Cíntia (que aliás "agora que voltou tudo ao normal, talvez consiga ser menos Rainha e um pouco mais real"), apenas com a troca de um 1 por um 0, a Bia foi mostrar o número para a Diane, como acusasse minha traição, dizendo que ela era a minha namorada. Agora, sim, que finalmente a terceira havia falecido, a Bia se sentia no direito de revelar meus adultérios. Obs: ela, que sempre pareceu tão sem limites, neste caso, por exemplo, conseguiu esperar silenciosamente por meses - muitos de nós não conseguem esperar.
A Diane estava sentada, rendida por um longo cansaço. Levantou-se. Atravessou a sala toda com seus passos altaneiros e perguntou pra mim, calmamente, apesar de nitidamente ofendida, quem é esta tal de Cíntia? é sua namorada?
Jamais saberei, a Diane saberá?, quantos dicionários correram pelos meus lábios, quantas mil e uma noites, antes que eu pudesse dar uma resposta definitiva. Respondi que não era ninguém, que era ficção. Em seguida, a Diane quis esconder o ciúme, disse que perguntava porque sua chefe da outra escola se chamava Cíntia e que temia precisar ligar pra ela por alguma razão. Eu deixei a Princesa Cíntia escapar dos seus reinados e neguei sua existência. Não podia falar da sua morte - pra falar de morte, é preciso falar de vida...
Homem não presta.
(Gu)
Pois justamente após o dia 10 de Novembro, logo após, a Bia me veio perguntar pela Princesa Cíntia colorindo a melodia da voz com a costumeira truculência do corpo, com alguma malícia já sensual e com espessas tintas de ciúme. Eu respondi com uma pergunta:
- Porque você acha que eu estou de preto? Estou de luto: ela morreu.
Com riso maroto, a Bia me pediu o telefone dela.
- Mas ela está morta!
- Mas eu quero o teleone dela.
- Mas você vai ligar e ninguém vai atender!
- Mas eu quero ligar, mesmo asim.
Não queria. Depois de conseguir o exato número do telefone da Princesa Cíntia (que aliás "agora que voltou tudo ao normal, talvez consiga ser menos Rainha e um pouco mais real"), apenas com a troca de um 1 por um 0, a Bia foi mostrar o número para a Diane, como acusasse minha traição, dizendo que ela era a minha namorada. Agora, sim, que finalmente a terceira havia falecido, a Bia se sentia no direito de revelar meus adultérios. Obs: ela, que sempre pareceu tão sem limites, neste caso, por exemplo, conseguiu esperar silenciosamente por meses - muitos de nós não conseguem esperar.
A Diane estava sentada, rendida por um longo cansaço. Levantou-se. Atravessou a sala toda com seus passos altaneiros e perguntou pra mim, calmamente, apesar de nitidamente ofendida, quem é esta tal de Cíntia? é sua namorada?
Jamais saberei, a Diane saberá?, quantos dicionários correram pelos meus lábios, quantas mil e uma noites, antes que eu pudesse dar uma resposta definitiva. Respondi que não era ninguém, que era ficção. Em seguida, a Diane quis esconder o ciúme, disse que perguntava porque sua chefe da outra escola se chamava Cíntia e que temia precisar ligar pra ela por alguma razão. Eu deixei a Princesa Cíntia escapar dos seus reinados e neguei sua existência. Não podia falar da sua morte - pra falar de morte, é preciso falar de vida...
Homem não presta.
(Gu)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
da manhã seguinte
gosto de sentir o gosto da água fria pela manhã
nas minhas mãos;
lavar a louça do jantar, as taças do vinho...
que não quisemos lavar
e sequer esvaziar.
te acordar, pão quente e café na cama.
gosto de sentir-me vivo
com o gosto de água fria nas mãos
de manhã
e me banhar com o teu beijo de bom-dia.
(biel)
nas minhas mãos;
lavar a louça do jantar, as taças do vinho...
que não quisemos lavar
e sequer esvaziar.
te acordar, pão quente e café na cama.
gosto de sentir-me vivo
com o gosto de água fria nas mãos
de manhã
e me banhar com o teu beijo de bom-dia.
(biel)
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Excerto de relatório de estágio: Dezembro
Eu estava sentado junto ao violão, concentrando a mim mesmo, a minha voz e o violão, para, enfim, render minha última homenagem do ano à minha bem-amada Diane, cantando uma canção. Ela chegou na escola. A concentração de nós três quase que foi totalmente pro saco. Mas ficamos firmes em nosso cantinho, esperando que ela se aproximasse.
Ela tardou... tardou... até a concentração tinha voltado já...
Eis que ela chega, com seus passos leves e lentos de quem sabe que cada seu passo moreno é um acontecimento, é um milagrezinho, e que deve, portanto, acontecer sempre de repente e sempre vagarosamente, pra poder ocupar cada pedaço do coração; ela chega e me entrega um presente de fim de ano.
Fiquei atônito!
Eu jamais poderia esperar!
Aí, sim, foi totalmente pro saco a nossa concentração.
O presente era um(a) champagne e um panettone.
Depois até toquei e cantei a canção, mas qualquer coisa seria muito pouco diante deste gesto tão lindo.
À noite, em casa, corri para o quarto, para sentir na boca o gosto de ser amado: comi um pouquinho do panettone, sempre muito pouquinho e tanto mais demoradamente que os passos da Diane.
Beijos de uva passa cristalizada e taças pela madrugada...
(Gu)
Ela tardou... tardou... até a concentração tinha voltado já...
Eis que ela chega, com seus passos leves e lentos de quem sabe que cada seu passo moreno é um acontecimento, é um milagrezinho, e que deve, portanto, acontecer sempre de repente e sempre vagarosamente, pra poder ocupar cada pedaço do coração; ela chega e me entrega um presente de fim de ano.
Fiquei atônito!
Eu jamais poderia esperar!
Aí, sim, foi totalmente pro saco a nossa concentração.
O presente era um(a) champagne e um panettone.
Depois até toquei e cantei a canção, mas qualquer coisa seria muito pouco diante deste gesto tão lindo.
À noite, em casa, corri para o quarto, para sentir na boca o gosto de ser amado: comi um pouquinho do panettone, sempre muito pouquinho e tanto mais demoradamente que os passos da Diane.
Beijos de uva passa cristalizada e taças pela madrugada...
(Gu)
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