segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Spleen

Sabe o que era bão?
Saber avoar...
Sair desse chão
Subir vagarinho
Pois não de avião
Mas com os passarinho
Ou com um balão
Chegar no seu ninho
Todo bonitão.

E se não tem alma:
Ir pro seu caixão,
calar a matraca,
comer seu coração,
soterrar na vala
tal vida de não!

(Gu)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

deus atrás de esposa

deus é um rato na casa do demônio.
roe pelas pontas,
caga por onde passa
quase nunca se vê
mas se sabe estar lá.

deus é um rato na casa do demônio.
incomoda à noite
quando faz barulho
roendo o alicerce
trabalhando a demolição.

deus é um rato na casa do demônio.
servindo limonada
cobiçando o seu quejinho
caçado a vassouradas
solto no escuro.

deus é um rato na casa do demônio.
um diabinho passivo
que torce e se retorce
para que, antes da demolição,
não deixem veneno no queijo.


(biel)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

graves e agudos

houve um som
o natural
e ele era um gemido

houve um som
o primeiro
e ele era um gemido

houve um som
o bíblico
e ele era um gemido

houve um som
o mudo
e ele era um gemido

houve um som
o romper a manhã
e ele era um suspiro


(biel)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

calendário

ouço vozes
mantêm-me na linha.
vêm de longe.
só
um
eco
para inflar meu ego.
no centro
só há
só
mas na volta
na curva
no giro do mundo
ergue-se um novo sol
pra mais um dia de sal
e uma doce noite.

(biel)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

um encontro

sobe pútrida a nuvem...
seus membros expelem vermes em doce deslizar
e é nesse lugar
que me afogo

só aí encontro mais dois
síntese escancarada e sublimada de mim
suaves palavras e agudos sons
e versos

só aí revela-se algo sobrenatural
três bobões num afogamento suicida de espantar jesus
e de salvar as donzelas.

(biel)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

do escuro

no fundo do canto do quarto
a barreira do corpo inverte o parto
some no escuro a voz
e a lágrima no riso desfaz

a noite invade serena e constante
penetra o dia de sol sufocante
no canto quarto alguém se debate
na ânsia de ti ser a parte

o grito cindido do corpo
um espasmo contorse, à dor se consente.
no dia seguinte (amanhã cinza)
sobram espaços mas flores e cores nas tintas

despenca a noite os olhos desviam
indagam o beijo com a carne gelada
no instante antes da noite estrelada

-olha lá...
-tanta estrela... olha lá
-tanta estrela..
-só sobrou..
-..o céu

o amor nasceu...

(biel)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

pequeno intervalo do tempo

há que se ter períodos onde nada é documentado!
são exatamente esses os momentos de maior criatividade e inspiração onde a poesia atinge o nível do indizível. Um desmaio bêbado de poesia onde só veremos então um clarão feliz, bobamente feliz de ter experimentado algo desse nível, mesmo quando esse indizível beira a morta dessa mesma felicidade. mas no final, o que sobra são estórias pra contar...

Divirta-se, mas não muito

Biel

sábado, 12 de abril de 2008

A Fábula Paciente

Era uma vez uma princesa que amou até seu coração se tornar o maior de todos. Com ele, a princesa venceu dragões e toda a sorte de criaturas nefastas. Até venceu a si mesma. Não tinha nascido pura, mas depurou-se. Subiu aos céus, no bojo do seu coração, e trocou seu quinhão de enxofre pelo azul celeste. Como amava muito um homem, entregou tudo, sem receios. O homem, evidentemente, levou tudo consigo, muito satisfeito. A princesa decidiu que jamais cortaria seus cabelos até que seu venturoso bem-amado voltasse. Os seus serenos cabelos vagarosamente cresceram, qual o coração. E desceram aos pés. Desceram ao chão. Desceram até o inferno.

O Diabo subiu pelas tranças e desposou a princesa.

(Gu)
tanta bolha de sabão...
e a sua letra
evaporando
de cada linha
ao calor cordial

vem o anjo brincar
vem e explode a bolhinha
debaixo da asa
deu muita risada

- que falta que faz?
uma lagriminha aqui
e tem mais...
o tempo sopra...

não é doce
arde o olho
mas lava
(não apaga)
a todo vapor
(Gu)

quinta-feira, 6 de março de 2008

pra onde?

sumido foi.
talvez tivesse sido eu que não fosse
mas se era e não foi ´
não era pra ser.
então sumiu
ou será que se perdeu em mim?

(biel)