deus é um rato na casa do demônio.
roe pelas pontas,
caga por onde passa
quase nunca se vê
mas se sabe estar lá.
deus é um rato na casa do demônio.
incomoda à noite
quando faz barulho
roendo o alicerce
trabalhando a demolição.
deus é um rato na casa do demônio.
servindo limonada
cobiçando o seu quejinho
caçado a vassouradas
solto no escuro.
deus é um rato na casa do demônio.
um diabinho passivo
que torce e se retorce
para que, antes da demolição,
não deixem veneno no queijo.
(biel)
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
graves e agudos
houve um som
o natural
e ele era um gemido
houve um som
o primeiro
e ele era um gemido
houve um som
o bíblico
e ele era um gemido
houve um som
o mudo
e ele era um gemido
houve um som
o romper a manhã
e ele era um suspiro
(biel)
o natural
e ele era um gemido
houve um som
o primeiro
e ele era um gemido
houve um som
o bíblico
e ele era um gemido
houve um som
o mudo
e ele era um gemido
houve um som
o romper a manhã
e ele era um suspiro
(biel)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
calendário
ouço vozes
mantêm-me na linha.
vêm de longe.
só
um
eco
para inflar meu ego.
no centro
só há
só
mas na volta
na curva
no giro do mundo
ergue-se um novo sol
pra mais um dia de sal
e uma doce noite.
(biel)
mantêm-me na linha.
vêm de longe.
só
um
eco
para inflar meu ego.
no centro
só há
só
mas na volta
na curva
no giro do mundo
ergue-se um novo sol
pra mais um dia de sal
e uma doce noite.
(biel)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
um encontro
sobe pútrida a nuvem...
seus membros expelem vermes em doce deslizar
e é nesse lugar
que me afogo
só aí encontro mais dois
síntese escancarada e sublimada de mim
suaves palavras e agudos sons
e versos
só aí revela-se algo sobrenatural
três bobões num afogamento suicida de espantar jesus
e de salvar as donzelas.
(biel)
seus membros expelem vermes em doce deslizar
e é nesse lugar
que me afogo
só aí encontro mais dois
síntese escancarada e sublimada de mim
suaves palavras e agudos sons
e versos
só aí revela-se algo sobrenatural
três bobões num afogamento suicida de espantar jesus
e de salvar as donzelas.
(biel)
quarta-feira, 16 de julho de 2008
do escuro
no fundo do canto do quarto
a barreira do corpo inverte o parto
some no escuro a voz
e a lágrima no riso desfaz
a noite invade serena e constante
penetra o dia de sol sufocante
no canto quarto alguém se debate
na ânsia de ti ser a parte
o grito cindido do corpo
um espasmo contorse, à dor se consente.
no dia seguinte (amanhã cinza)
sobram espaços mas flores e cores nas tintas
despenca a noite os olhos desviam
indagam o beijo com a carne gelada
no instante antes da noite estrelada
-olha lá...
-tanta estrela... olha lá
-tanta estrela..
-só sobrou..
-..o céu
o amor nasceu...
(biel)
a barreira do corpo inverte o parto
some no escuro a voz
e a lágrima no riso desfaz
a noite invade serena e constante
penetra o dia de sol sufocante
no canto quarto alguém se debate
na ânsia de ti ser a parte
o grito cindido do corpo
um espasmo contorse, à dor se consente.
no dia seguinte (amanhã cinza)
sobram espaços mas flores e cores nas tintas
despenca a noite os olhos desviam
indagam o beijo com a carne gelada
no instante antes da noite estrelada
-olha lá...
-tanta estrela... olha lá
-tanta estrela..
-só sobrou..
-..o céu
o amor nasceu...
(biel)
quarta-feira, 2 de julho de 2008
pequeno intervalo do tempo
há que se ter períodos onde nada é documentado!
são exatamente esses os momentos de maior criatividade e inspiração onde a poesia atinge o nível do indizível. Um desmaio bêbado de poesia onde só veremos então um clarão feliz, bobamente feliz de ter experimentado algo desse nível, mesmo quando esse indizível beira a morta dessa mesma felicidade. mas no final, o que sobra são estórias pra contar...
Divirta-se, mas não muito
Biel
são exatamente esses os momentos de maior criatividade e inspiração onde a poesia atinge o nível do indizível. Um desmaio bêbado de poesia onde só veremos então um clarão feliz, bobamente feliz de ter experimentado algo desse nível, mesmo quando esse indizível beira a morta dessa mesma felicidade. mas no final, o que sobra são estórias pra contar...
Divirta-se, mas não muito
Biel
sábado, 12 de abril de 2008
A Fábula Paciente
Era uma vez uma princesa que amou até seu coração se tornar o maior de todos. Com ele, a princesa venceu dragões e toda a sorte de criaturas nefastas. Até venceu a si mesma. Não tinha nascido pura, mas depurou-se. Subiu aos céus, no bojo do seu coração, e trocou seu quinhão de enxofre pelo azul celeste. Como amava muito um homem, entregou tudo, sem receios. O homem, evidentemente, levou tudo consigo, muito satisfeito. A princesa decidiu que jamais cortaria seus cabelos até que seu venturoso bem-amado voltasse. Os seus serenos cabelos vagarosamente cresceram, qual o coração. E desceram aos pés. Desceram ao chão. Desceram até o inferno.
O Diabo subiu pelas tranças e desposou a princesa.
(Gu)
O Diabo subiu pelas tranças e desposou a princesa.
(Gu)
quinta-feira, 6 de março de 2008
pra onde?
sumido foi.
talvez tivesse sido eu que não fosse
mas se era e não foi ´
não era pra ser.
então sumiu
ou será que se perdeu em mim?
(biel)
talvez tivesse sido eu que não fosse
mas se era e não foi ´
não era pra ser.
então sumiu
ou será que se perdeu em mim?
(biel)
brisa da manhã
num sonho desses de garoto de rua
num começo de manhã
na noite mal dormida
no sol que penetrava como lança
no estômago do inimigo
numa saudade que não tinha do que ser
de um tempo feliz que nascia naquela inspiração
inspirei...
no lança-perfume,
minha cola,
seu pescoço.
(Biel)
num começo de manhã
na noite mal dormida
no sol que penetrava como lança
no estômago do inimigo
numa saudade que não tinha do que ser
de um tempo feliz que nascia naquela inspiração
inspirei...
no lança-perfume,
minha cola,
seu pescoço.
(Biel)
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