segunda-feira, 23 de abril de 2007

Logística

A dor de cabeça?
A chuva leva.
O cansaço?
A chuva leva.
O desespero?
A chuva leva.
A mágoas?
A agonia?
As angústias?
Os amores mal amados?
E a tristeza?
A chuva leva.

E nesse leva
Falta o traz
E para o leva e traz
Que ela traga você pra mim.

(biel)

Poema egocêntrico

Eu...
Eu...
Eu...
Eu sou eu!

(biel)

Estações

Na prima
Na primeira
Na primavera

No outro
No encontro
No outono

Vai saber o por quê!

Das estações me sobram os nomes
E jogos palavrísticos

Lembranças?
Lembranças não
Mas ela me lembra a primavera!

(biel)

Um instante

O mar de prata se estende rasteiro no céu
Varrendo desesperos e tristezas
Com ondas ventâneas
Que parecem esmurrar e nocautear
Tudo o que me faz mal
E nesse instante
Eu estou bem.

(biel)

O bem puro

Veio luminosa
Iluminista
Iluminou meus passos

Comecei a procurar sombras
E constatei que, de fato,
Elas não existiam
E eu assustado
Desisti.

(biel)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

teoria da revolução

parei pra pensar
não saí do lugar

(biel)

domingo, 8 de abril de 2007

Livre-Queda

pulei...
pro nunca mais
pra sempre
e o fundo do fim findou
e não tinha fundo ou fim
e Eu fui feliz

(biel)

Correção

Esses 2 últimos poemas são meus, do Gu... desculpa não ter assinado... esqueci...

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Vésper

É muito bom quando a fofa da Tristeza chega com hora marcada!
(Por exemplo quando a gente sabe que a vó da gente vai
morrer
no mês que vem)

Porque daí dá pra gente sentir o calor da espera
Dá pra gente arrumar a casa direitinho
com muito carinho
A gente espalha flores pela calçada
geometricamente,
como fosse espontâneo

E a gente chama as borboletas,
os beija-flores,
as joaninhas,
todas as cores
para enfeitar nosso jardinzinho e dar as boas-vindas

Depois faz faxina completa com bastante dedicação e felicidade
Deixa o banheiro limpinho e cheiroso
Bota a roupa de cama mais macia e com mais cara de mãe
Prepara uma comidinha bem caseira
Nada de coisas francesas,
É arroz, feijão e carne moída mesmo!
mas com o tempeirinho mais terno
de uma ternura ancestral
Faz limonada
Arruma as almofadas muito alinhadas
Por fim, escolhe o disco mais triste (apesar da alegria) e deixa rodar...

Pra humildemente fingir espanto quando a tão amada quanto esperada Tristeza chegar
E convida-la pra ficar
perdoando a bagunça.
Prefiro os amores improdutivos
Aqueles que não rendem uma vírgula
Um título sequer
Aqueles que não podem ser contados em sílabas simétricas

Que não podem ser manchados pelo mijo
dourado (sorriso amarelado)
Icterícia das palavras

E nem podem ser vendidos nas estantes da livraria