sexta-feira, 6 de abril de 2007

Feminina

Tais belos músculos o que serão
Senão a prisão d'alma, meu amado?

(quanto mais fortes os músculos
mais inquebrantáveis grades!)

Abrigar-me-ei nos teus braços e aflita
Segredarei o caminho da liberadade

Quando puderes voar
Lançaremo-nos rasantes.

(Gu)

Manuel Bandeira no Céu

Quando o Manu se encantou
(ele que, anjos viu, nos vermes)
Os vermezinhos tão gratos
Logo foram libertando
Sua alma com muito afeto

Até que o Manu subiu
Que nem fosse balãozinho
Na noite de São João
Alumiando tudinho!

E chegou no Céu, sem-jeito,
Chamando Deus de Senhor
Foi quando Ele secundou:
-Fala assim, não, meu caboclo,
Que me sinto muito velho.

(Gu)

Edipiano

Foram verruguentas desilusões
Estouraste todos os meus balões

Quebraste todos meus lápis de cor
Pisaste bem forte na minha flor

Não me venhas com teus doces, teus sóis
Não beijo mais tuas iscas - anzóis.

Sai com essa envelhecida alegria
Se a noite a acompanha, pra que o dia?

Chega... que quero re-provar teu beijo
De sabor de goiabada com queijo...

(Gu)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A fome

Eu co-ria, correndo, pra criança que sorria, so-rindo, no nosso metrô
Ela sempre_ssa eu nessa de ter presa. A pressa do mundinho de São Paulo.
Mas tudo vai tão bem que quem fo(r)me dizer o que é, eu respondo:
Sou e sou feliz so-rindo como a criança num esbaldar-me de rir!
(E quero muito almoçar ao lado dela!)

(biel)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

A partida

Um carro avançou sobre os cavalos
Um dirigível atropelou uma velhinha
Uma nuvem caiu na minha piscina
Um dragão queimou o meu churrasco
Um vândalo me beijou
Uma vaca tossiu
E uma menina pegou um táxi.

E tudo isso ao mesmo tempo
E tudo isso na minha cabeça
E tudo isso aconteceu
E tudo isso era loucura
E tudo isso era eu
E tudo isso quando ela entrou no táxi.

(biel)

A ave que não pode ser nomeada

As nuvens avançam sobre mim
Como tigres insolúveis no ácido das minhas mágoas.
Também no negro da min há solidão,
Se aconchegam cobras coloridas.
Dançam cobras e tigres
Num balé de todas as cores
E morto.

Varando o noturno calabouço das ruas
Talvez desvencilhada do Sol
Ou da estrela maior e mais vital do universo
A cada batida de suas asas
Explosão de vida
E no seu canto, a paz mais poderosa e luminosa,
O acalanto mais feliz!

(biel)

domingo, 1 de abril de 2007

Embolada pra Bia

Pois é agora que eu digo
Ninguém mais me põe calado
Pra quem tiver bom ouvido
Além do rabo encurtado:

-A Biboca é um perigo...
Os óio todo estrelado
As fulô do verde pino
Inveja os assafirado

-A Biboca é um colorido
Linda pra qualquer agrado
Fica quieto os passarinho
Se ela aparece um bocado

Pois agora eu abro o bico
Todos dente destravado:
-Deus esteja bem contigo
E eu, indigno, ao seu lado.

(Gu)

Alexandrino irônico

A Lu coleciona moedas de um centavo.
Ai, que não vale nem um centavo esse Gustavo...
Ser ou star?

(Gu)

saudade...

sal dá de
varejo
nos olhos
se não
te vejo

(Gu)